As Letras e eu – o início

Oi, pessoas!

Finalmente venho cumprir uma promessa que fiz há um bom tempo: falar sobre como tem sido estudar Letras. Posso demorar, mas quase sempre vou cumprir minhas promessas. Já aviso que vou dividir esta publicação em duas partes, porque não pretendo fazer vocês lerem um texto gigantesco. Então, hoje vou falar sobre a decisão de estudar Letras e, na semana que vem, compartilho mais sobre a minha experiência até aqui.

Esses dias estava conversando com a querida Karina Kuschnir sobre esse assunto, o que me animou a finalmente escrever esse post. Também me animou o fato de que, depois de muito tempo, tenho entendido algo muito importante: mudei de área e, mesmo que continue amando as Ciências Sociais, acho que posso dizer que agora sou uma pessoa das Letras.

Sei que isso parece meio óbvio, já que comecei uma nova graduação. Mas na minha cabeça não era tão óbvio assim e, para explicar, começo contando para vocês a minha história.

Me formei em Ciências Sociais em 2011 e, logo em seguida, fiz um mestrado na mesma área, que durou até 2014. Já contei sobre esses processos em outras publicações, então não vou me aprofundar no assunto. O caso é que, apesar da minha formação, trabalhar mesmo na área de Ciências Sociais ocupou pouco tempo da minha vida, comparado ao tempo em que trabalho em atividades relacionadas às Letras. Dei aula de Sociologia para o ensino médio por aproximadamente um ano, depois de formada. Além disso, tive a experiência de ser pesquisadora durante o mestrado. Vamos contar outras poucas experiências na área e totalizar aí uns 4 anos atuando nas Ciências Sociais.

Por outro lado, as atividades relacionadas às Letras me acompanham desde que estava cursando Ciências Sociais! Naquela época, eu fazia alguns trabalhos de maneira autônoma para receber um dinheirinho que me ajudasse a me manter na universidade, como transcrever áudios e revisar textos. Desde o período em que morei na Colômbia, dou aulas particulares de português para falantes de espanhol. Também fiz alguns modestos trabalhos de tradução. Enfim, somando tudo, é um pouco mais de 10 anos trabalhando nessa área.

Porém, a minha cabeça ainda estava pensando nas Ciências Sociais. Olhando a partir da perspectiva que tenho agora, acho que me sentia um pouco obrigada a permanecer na área à qual dediquei tanto tempo de estudo. Além disso, para mim, pesava muito o fato de ter estudado em uma universidade pública. Parecia que eu estava “jogando fora” o dinheiro público que foi investido na minha educação. Outra questão – não menos importante – é que eu amo as Ciências Sociais, e, particularmente, a Antropologia, então, considerar permanecer nessa área não me parecia nada estranho.

Por que foi estudar Letras, então? Você vai me perguntar. Não era melhor ter investido tempo e energia na sua área? Pois é! Mas, vejam bem, é exatamente isso o que fui fazer. Eu estava inserida em atividades relacionadas às Letras, tinha uma longa experiência de trabalho e, por isso, um dos motivos que me levou a começar uma nova graduação foi justamente a intenção de dar “legitimidade” ao que eu estava fazendo. Coloco entre aspas porque a legitimidade não vem só de um pedaço de papel, mas vem dele também.

Às vezes parece que não (risos nervosos), mas o que está escrito no seu diploma importa. Já tentei concorrer a vagas de trabalho em que meu currículo não era nem lido porque não estava escrito lá: formação em Letras. Meu raciocínio foi: vou fazer esse curso para conseguir melhores trabalhos dentro do que já estou fazendo e, enquanto estiver trabalhando, volto para as Ciências Sociais. Lá em 2019, meu objetivo ainda era fazer um doutorado nessa área e seguir a carreira acadêmica, mas já desisti completamente da ideia (falo sobre isso depois, em outra publicação).

Mas, obviamente, nem tudo vem de um pensamento prático como esse. Eu gostava das Letras, ou, para começar, nem estaria trabalhando na área há tanto tempo. Letras foi minha segunda opção de curso na época do vestibular, nunca foi algo aleatório e distante do que me interessa intelectual e profissionalmente (é significativo que tanto minha pesquisa de iniciação científica quanto a de mestrado em Ciências Sociais tiveram a ver com Literatura). Então, quando resolvi “legitimar” minha atuação profissional com um diploma, decidi também me divertir, ou seja, aproveitar o máximo que eu pudesse dos estudos literários, do espanhol (que é minha segunda habilitação, a primeira é português), dos estudos da tradução e da oportunidade de ser estudante de novo, simplesmente. O que não é uma coisa fácil nessa altura da minha vida, mas não deixa de ser legal.

Comecei a estudar Letras em 2019 e só agora, em 2022, depois de muito trabalho de autoconhecimento, entendo e reconheço que é onde quero estar (já se passaram 4 anos, mas ainda falta muito para eu terminar o curso, vou falar sobre isso na semana que vem). Não significa que o que estudei em Ciências Sociais foi em vão, pelo contrário, acho que só complementa tudo o que estou estudando agora e tudo o que ainda vou fazer profissionalmente. Talvez por isso também só agora, depois de tanto tempo, consigo vir aqui elaborar melhor como tem sido estudar Letras.

Na próxima publicação conto mais sobre isso, leia aqui.

Até mais ler!


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