Mulheres na América Portuguesa – um projeto para acompanhar de perto

A construção da memória coletiva parte de escolhas e, ao longo dos séculos, escolheu-se contar, principalmente, a história de homens.

Mas sou comprometida com a história das mulheres. Quero que nossas histórias sejam lidas, ouvidas, compartilhadas.

Tive uma grata surpresa em uma matéria da faculdade no segundo semestre de 2021 (para quem não sabe, sou formada em Ciências Sociais e, depois de 10 anos graduada, decidi começar uma graduação nova – Letras – que estou cursando no momento). A matéria é Filologia que, resumidamente, tem como objeto de estudo textos antigos. É verdade que lidar com esses textos e documentos é um pouco trabalhoso, especialmente em um contexto de fim de semestre. Eu já me sentia bem cansada e não me aprofundei no assunto como gostaria.

Mas, por causa dessa matéria, tive contato com um projeto incrível coordenado pelas professoras doutoras Maria Clara Paixão e Vanessa Martins do Monte. É um projeto chamado “Mulheres na América Portuguesa”, que tem por objetivo construir um catálogo de documentos escritos por mulheres e sobre elas entre 1500 e 1822.

O resultado desse trabalho é a recuperação de histórias que precisam ser conhecidas, como a comprovação de que mulheres escravizadas, apesar de comprarem sua alforria, não eram libertas. Ou relatos de denúncia de violência e abuso sexual, como é possível ver nessa matéria que cita o projeto MAP. Ou ainda, como identifiquei no documento que estudei no meu trabalho final da matéria, processos de mulheres acusadas de hereges pela inquisição, simplesmente por comer determinada carne ou por se reunirem em dia proibido.

O site do projeto é esse: http://map.prp.usp.br/  e convido vocês a conhecerem, porque lá é possível ver todos os detalhes, as publicações, mais relatos e descobertas. As pesquisadoras também têm um perfil de divulgação no Instagram, que é esse aqui.

Você não precisa ser uma pessoa envolvida com a vida acadêmica para acompanhar, isso diz respeito a todos nós, como sociedade. Especialmente quem, como eu, gosta de conhecer, recuperar e entender a história das mulheres, esse é um trabalho importante para ficar de olho.

Por isso, meu único objetivo com essa publicação é divulgar esse projeto porque isso significa, também, divulgar as vozes de mulheres. As do passado, encontradas nos documentos antigos, e as do presente, que fazem ciência do jeito que se consegue neste país e, mesmo com as dificuldades, realizam coisas incríveis.


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