Seis meses de isolamento e…

Estoy aquí.

Pela milésima vez neste ano, tento retomar esse blog, vamos ver se vai. Tá difícil pra todo mundo, né, gente? Pra alguns, mais difícil e triste que pra outros, mas todos estão tentando lidar com essa leve amostra de fim de mundo que é 2020.

Prometi voltar pra publicar os textos dos desafios literários abandonados e vou fazer isso. Só achei que precisava dar um “oi” antes de aparecer do nada com um texto sobre um livro. Então, oi!

Ainda estamos vivendo no meio de uma pandemia, apesar de muita gente achar que não. Algumas pessoas já voltaram às suas atividades, outras nunca saíram delas. Tem gente precisando lidar com a perda de um ente querido (por causa do Covid ou por outra razão). Tem gente que contraiu o vírus e está aí, lutando pra se recuperar. Tem gente que perdeu o emprego, tem gente trabalhando mil vezes mais do que antes… São muitas realidades.  Quero só deixar meu abraço virtual pra todo mundo que, por acaso, ler isso aqui. Espero, de coração, que, seja lá qual for a sua realidade ruim, essa dor possa diminuir em breve.

Vou compartilhar um pouco do que tem sido, pra mim, esses seis meses. Estou em isolamento desde o começo. Desde o primeiro dia, a empresa onde trabalho mandou todo mundo ficar em casa e assim estamos até hoje. Fico feliz por, neste momento, trabalhar em um lugar que não me obriga a me colocar em risco. Não deveria ser um motivo de felicidade, porque deveria ser assim em todos os lugares. A USP também cancelou as aulas presenciais (foi um semestre tenso com uma EAD fake, mas outro dia falo sobre isso) e vai seguir assim até o fim do ano, pelo menos. Saí de casa poucas vezes, todas para consultas médicas.

Por falar nisso, comecei a quarentena me recuperando de uma cirurgia nos olhos, que fiz exatamente uma semana antes da bomba explodir. Foi uma recuperação mais demorada que o normal, então confesso que, no começo desse caos, eu nem estava pensando muito em outra coisa que não fosse voltar a enxergar (dramática! Outro dia conto da cirurgia também, porque quero falar verdades que não ouvi antes de fazer a minha).

 No final de junho, fiz outra cirurgia. Foi uma cirurgia simples, para tirar um pequeno tumor da bexiga, mas exigiu um dia de internação. Foi tenso ficar internada. Medo do Covid. Nunca tinha ficado internada, nunca tinha tomado anestesia e isso, por si só, já era assustador. Imaginem no meio de uma pandemia. Mas era algo que não dava pra adiar. Enfim, tudo se resolveu, estou bem e, felizmente, não contraí o vírus no hospital (na verdade, não sei, posso só não ter tido sintomas). Depois dessa cirurgia, fiz um isolamento dentro do isolamento.

Por fim, me mudei. Foi tudo muito rápido, uma oportunidade imperdível que nem exigiu saídas pra olhar a casa, porque nós já a conhecíamos. Faz um pouco mais de um mês que mudei meu lugar de isolamento.  Foram muitas emoções nesses seis meses. Paralelo a isso tudo, muito, muito trabalho.

 Acredito que não tive tempo de absorver tudo o que aconteceu e está acontecendo. É um sentimento estranho, não sei se vocês se sentem assim também. Estamos vivendo algo grandioso e, apesar das nossas preocupações, às vezes tenho a impressão de que não entendemos, de fato, a dimensão disso. No começo, ao mesmo tempo em que tudo parecia estar em suspenso, a vida continuava, essa vida do cotidiano, que a gente tem que seguir porque precisa pagar boletos, se alimentar, sobreviver, cuidar dos outros, cuidar de nós. Agora, apesar do cenário desolador de mortes, de não termos ainda uma vacina, de não termos segurança e certeza de nada, tudo parece ter voltado ao normal. Vocês não acham isso um pouco assustador? Essa superficialidade com a qual estamos lidando com essa pandemia e as consequências – inclusive sociais – dela? Eu acho, mas também não consigo sair dela.

O dia a dia me consome, ficar em casa não é um problema – me causa um pouco de ansiedade pensar que vou ter que voltar a sair em algum momento. Coloco a máscara pra receber alguma entrega no portão. Limpo tudo, lavo as mãos. Trabalho o dia todo. Vejo as notícias e me revolto, me entristeço. Vou dormir  e no outro dia é só mudar de quarto pra trabalhar e começar tudo de novo. Penso que, com tanto tempo em casa, eu deveria ter tempo livre. Por que não tenho? Pessoas queridas perderam familiares, não pude ir dar um abraço. Me preocupo com a saúde da minha mãe. Penso nas pessoas queridas que estão longe. Dá saudade de encontrar os amigos. Me olho no espelho e vejo o cansaço estampado no rosto, o cabelo que não consigo arrumar, as roupas “de ficar em casa” que estão gastas. Preciso comprar roupa. Preciso mesmo? Tudo continua igual. Acho que, assim como muita gente, não consigo ainda dimensionar tudo isso porque estou presa na falta de tempo e de energia pra pensar em qualquer coisa que demande mais de mim nesse momento.

Seis meses. Continuamos a contagem.


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