Faculdade depois dos 30

Oi, pessoas!

Depois de algumas semanas de ausência, aqui estou, com algum tempo livre para, finalmente, escrever no blog. Sinto falta de escrever, gostaria de estar mais presente, mas aceitei minha realidade deste ano, que é a de uma pessoa completamente sem tempo. Estou de férias da universidade, o que me possibilita colocar energia em outras coisas importantes, então resolvi dar as caras exatamente para contar como tem sido voltar a estudar. Mais ainda, como tem sido encarar essa jornada depois dos 30 anos.

Antes de tudo, vale a pena dizer que não acredito que exista uma idade certa para começar ou voltar a estudar. Nunca é tarde. As pessoas têm realidades, histórias e anseios diferentes – e isso pode mudar com o passar do tempo. Infelizmente, às vezes estudar não é uma opção e essa possibilidade só chega bem depois. Ainda bem que chega para alguns!

Mas acho, sim, que fazer faculdade com 20 anos é algo muito diferente de fazer com 30 e, baseada na minha experiência (que é só minha), quero comentar o que tem me impactado de maneira intensa.

1 – É mais cansativo

Não é possível começar com outro comentário. É mais cansativo porque estou em outra etapa da vida, com um milhão de outros compromissos para dar conta. Trabalho oito horas por dia, por exemplo, algo que não fiz na primeira graduação. Trabalhei naquela época também, mas como freelancer e com horários muito mais flexíveis. Sei que muitos estudantes mais jovens também trabalham e estudam ao mesmo tempo e precisam fazer isso para se manter. Mas acho que vocês vão concordar que o peso de 10, 15 anos a mais é significativo nessa rotina corrida. Conheci pessoas que, além de trabalhar e estudar, têm filhos para cuidar e não consigo nem imaginar o tamanho do cansaço delas.

2 – É mais leve

É evidente que esse é o ponto de vista de alguém que já fez uma graduação antes e sabe como estudar. Sim, a gente aprende a estudar, como escrever, como ir atrás de uma bibliografia e estruturar uma argumentação. Então me sinto muito mais tranquila na hora de escrever um trabalho ou responder uma prova. Além disso, tem sido mais leve porque não tenho mais a sensação de que tudo é determinante. O que não significa, claro, que estou nesta rotina louca só pelo gosto de estudar. Há uma boa dose de expectativa de que todo esse conhecimento me ajude pessoalmente e profissionalmente, ou não estaria investindo em fazer outro curso.  Mas acho que há uma fase da vida em que escolher um curso universitário parece ser um peso,  pois, supostamente, é “aquilo que vamos fazer pelo resto da vida”. Tive essa sensação ao fazer a primeira graduação e agora não tenho mais. O que faz com que estudar seja muito mais prazeroso.

3 – É socialmente mais fácil

Sei que há pessoas que se encaixam e se relacionam com muita facilidade. Não é o meu caso. A faculdade pode ser difícil, porque é o lugar e momento de conhecer gente nova, às vezes com realidades completamente diferentes. É complicado fazer novas amizades, pelo menos eu acho. Fiz grandes amigos na faculdade – que são meus melhores amigos até hoje, mas, no início, era um sentimento de inadequação. Confesso que agora minha única preocupação é chegar pontualmente na aula e sair correndo no final para não perder o ônibus. Mas conheci algumas pessoas e percebi que isso tem sido muito mais fácil, talvez justamente porque já não sinto a necessidade de me encaixar em lugar nenhum.

Acho que são essas as principais diferenças que percebo ao voltar a estudar depois dos 30 anos. O semestre acabou e comemorei muito o fato de ter conseguido finalizá-lo porque, realmente, não tem sido uma rotina fácil. Mas tem valido a pena. Estou amando estudar Letras e a verdade é que eu realmente amo estudar! Depois do mestrado, quis me afastar por um tempo de tudo relacionado à vida acadêmica, como já contei aqui. Mas voltar a estudar tem sido incrível. Me sinto muito à vontade nesse ambiente, a verdade é essa.

Além disso, tem sido libertador em vários sentidos. Primeiro, porque nada me tira o sentimento de escolher fazer alguma coisa porque sim, porque eu quero, porque faz sentido para mim. Sei que fazer outra graduação (especialmente depois de ter feito um mestrado) é algo que não entra na cabeça de muitas pessoas. Mas colocar em prática um plano e um desejo é suficiente para me fazer sentir bem, apesar das dificuldades.  

Tem sido libertador também porque o conhecimento é libertador! Por exemplo, para mim, é um alívio chegar na universidade depois de um dia inteiro trabalhando e um deslocamento extremamente cansativo e estressante e aprender um monte de coisas novas. É um privilégio (em todos os sentidos) passar uma aula inteira lendo um poema da Cecília Meireles, depois de um dia difícil no trabalho. Tudo isso me ajuda a lembrar que a vida é muito mais que pagar boletos e cumprir uma lista de tarefas.

Vivemos em um mundo em que o tempo é um tempo produtivista, o sucesso é pautado no quanto você já conseguiu obter materialmente, o conhecimento praticamente não é valorizado. Nesse mundo, não faz muito sentido querer prestar vestibular depois dos 30, com 40, 50 anos. Voltar a estudar, então, é um retrocesso. Tentar coisas novas para que? Mudar? Dá muito trabalho! Sou feliz porque, apesar de exausta, estou caminhando no sentido contrário a tudo isso. Não posso dizer que é fácil. Mas vale a pena.

2 comentários em “Faculdade depois dos 30

  1. Adorei esse post, assim como todos que você escreve! já fiquei me imaginando voltando a ser aluna também. por isso gosto tanto de estudar aquarela: é uma forma de sentar nesse lugar. Espero que as férias estejam sendo de ótimas leituras, querida. bjs [image: ]

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