As pessoas falam demais

Selo não entre em pânico

Vou contar uma coisa para vocês. Gosto muito desse blog, mas às vezes tenho preguiça de aparecer por aqui e, às vezes, acontecem umas coisas na vida que me deixam sem tempo mesmo. No momento, estou numa fase em que essas duas coisas estão misturadas. Então, fora a correria da minha vida pessoal, ultimamente estou com preguiça de dar as caras no mundo on-line. O que vale principalmente para as redes sociais.

Ando realmente mal e preocupada com o período sombrio que vivemos no Brasil e me sinto ainda mais pra baixo ao lembrar que só vai piorar. Nada de bom vai vir desse golpe, especialmente para nossa democracia tão recente e novamente fragilizada. Não consigo não ser pessimista neste momento e, na verdade, tudo o que quero é não ver o que as pessoas andam falando por aí. Porque tem muita gente chata. Tem aqueles que gostam de dar carteirada do tipo “eu sou advogado, sou cientista político, então estou certo e sua opinião não vale nada”. Tem outros que leem memes no Facebook diariamente e acham que isso serve de base para discutir alguma coisa e “eu sou super informado, então estou certo e sua opinião não vale nada”. O problema é que já passamos da fase de tudo ser uma questão de opinião. Daí fico com uma preguiça gigantesca das pessoas, porque é muita gente falando e, vamos combinar aqui entre nós, falando muita coisa desnecessária. Já é mais que suficiente nossos deputados e senadores falando tanta besteira pra justificar o que não se justifica.

Enfim, cansada de tanta falação, lembrei de um trecho de “O guia do mochileiro das galáxias”. Já contei pra vocês que estou lendo a série de livros, outro dia volto aqui pra comentar sobre eles (provavelmente quando acabar todos). Nossa, que trecho tão apropriado! Resolvi compartilhar aqui, então lá vai:

Uma das coisas que Ford Perfect jamais conseguiu entender em relação aos seres humanos era seu hábito e afirmar e repetir continuamente o óbvio mais óbvio, coisas do tipo “Está um belo dia”, ou “Como você é alto”, ou “Ah, meu Deus, você caiu num poço de dez metros de profundidade, você está bem?”. De início, Ford elaborou uma teoria para explicar esse estranho comportamento. Se os seres humanos não ficarem constantemente utilizando seus lábios – pensou ele -, eles grudam e não abrem mais. Após pensar e observar por alguns meses, abandonou essa teoria em favor de outra: se eles não ficarem constantemente exercitando ses lábios – pensou ele -, seus cérebros começam a funcionar. Depois de algum tempo, abandonou também esta teoria, por achá-la demasiadamente cínica, e concluiu que, na verdade, gostava muito dos seres humanos. Contudo, sempre ficava muitíssimo preocupado ao constatar como era imenso o número de coisas que eles desconheciam.”

Depois que li isso fico rindo sozinha na rua quando vejo as pessoas falando coisas meio óbvias. Também dou risada de mim mesma quando faço isso. Será que se pararmos de movimentar nossos lábios, nossos cérebros realmente começam a funcionar? É realmente cínico, mas talvez devêssemos fazer o teste.


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