Um ano na Colômbia!

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Foto: Sarah F. Toledo

Nesses primeiros dias de setembro, sendo que não lembro exatamente o dia, faz 1 ano que estou morando na Colômbia. Na verdade, nunca imaginei que esse tempo fosse passar tão rápido assim, mas 2015 está voando!

Gosto de parar em alguns momentos da minha vida e fazer um balanço de tudo. Quase nunca é na virada do ano, como muitos costumam fazer, geralmente é no meu aniversário ou em algumas datas significativas. Então achei que esse seria um momento interessante para refletir como tem sido a experiência de viver fora do Brasil. As coisas mais pessoais e filosóficas guardo pra mim mesma, mas resolvi compartilhar algumas outras que acho que podem interessar quem pensa em um dia sair do país, porém farei isso no próximo post, para esse não ficar gigantesco. Hoje é só um blá, blá, blá mesmo.

É louco pensar que nunca tive realmente o plano de me mudar. Sei que algumas pessoas sonham em morar em outros países, temporariamente ou para sempre. Gosto muito de viajar e quero, sim, conhecer muitos lugares ainda. Também não posso negar que tinha curiosidade sobre como seria a experiência de estudar fora ou passar uma pequena temporada em outro país. Mas sonhar com isso, desejar com todas as forças do mundo… Definitivamente não era assim.

Por outro lado, no fundo, eu sabia que se fosse para sair do Brasil eu iria para um país da América Latina. Provavelmente na busca de uma identidade que, em geral, não é muito valorizada pelos brasileiros, que não se percebem como latino-americanos. Ainda que futuramente eu pudesse (possa) viver em outro (s) país (es) fora do nosso continente, eu sabia que, se fosse para começar, seria por aqui.

A Colômbia, que provavelmente não estaria no topo de uma lista imaginária de países para morar, apareceu como a opção mais óbvia quando eu estava querendo fugir do fim de um mestrado completamente estressante, de uma experiência frustrada de trabalho e, principalmente, quando me deparei com a necessidade de estar perto de alguém que me faz muito feliz. Já contei aqui, nada foi muito planejado, eu simplesmente decidi vir e vim. Depois de um ano, apesar de muita saudade da família, dos amigos, do meu lugar, olho para trás e não me arrependo em nenhum momento de ter vindo.

Em Cartagena tenho aprendido muito. Com isso não quero dizer apenas que tenho conhecido coisas novas. Tenho aprendido muito sobre mim mesma, sobre meus limites, sobre o que eu valorizo e o que quero para a vida. Também tenho aprendido muito sobre relacionamentos com a família, amigos, namorado, desconhecidos.

Além disso, não posso nem mensurar o valor cultural e intelectual que essa experiência tem me oferecido. Conhecer Cartagena – e não só o lado lindo e turístico que a maioria das pessoas conhecem quando vêm aqui, mas a cidade com todos os seus problemas sociais, o descaso do poder público com a parte não turística, os problemas de estrutura – conhecer tudo isso tem me feito refletir sobre a força que nós, latino-americanos, com tantos problemas em comum, podemos ter se nos unirmos. Também tem despertado minha curiosidade para conhecer mais sobre as formas de resistência de um povo, realmente, tão heroico e lutador. Isso deve ser coisa de cientista social, não posso evitar.

É claro que nem todos os momentos são felizes e de aprendizados. Tem alguns pontos negativos em sair do seu país. A saudade, a solidão, os momentos de dúvidas, querer a presença da mamãe, a comida do papai, a chatice dos irmãos, as maluquices da cachorrinha, querer ligar para os amigos e sair pra botar o papo em dia, contar piadinhas sem graça (vocês sabem como é difícil ser engraçado em outra língua?), achar piadas engraçadas. Esse é um dos piores momentos, se sentir longe demais de casa e sem contar com um teletransporte.

Mas, no fim das contas, vale a pena e, por isso, posso dizer, depois de um ano, que uma das coisas mais loucas que já fiz é também uma das melhores coisas que já fiz. Se vocês me perguntam quanto tempo mais vou ficar aqui, ainda não sei. Na verdade, no momento não depende muito de mim. Mas sei que quando voltar pro Brasil, porque isso com certeza vai acontecer, serei uma pessoa completamente diferente. E que bom por isso!


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